Esses meu irmão Caio (de 4 anos) “pegou” uma caixinha de bombinhas traque no mercado e saiu escondido. Aí, claro, quis dar uma de irmã mais velha com uma conversinha boa!
Eu: Caio, não pode fazer isso que você fez, viu?
Caio: Jô, vamo jogá baraio?
Eu: Caio, Deus olha pra gente, viu? Escondido!
Caio: como é que ele olha todo mundo?
Eu: ué, você não sabia que cada pessoa tem uma câmera escondida que filma tudo e passa na televisão super grande de Deus e ele assiste?
Caio (procurando a câmera): mas, Jô, eu não tô vendo a minha não!
Eu: ela é invisível bobo…
Caio (olhando em volta): ah tá… vamo jogá baraio?
Eu: então… não pode pegar nada dos outros que ele vai assistir, aí você não vai pro céu.
Caio: por que? Que que tem o céu?
Eu: ah… deixa pra lá…
Uns dias depois disso, ele entra no meu quarto e diz:
Caio (olhando em volta de mim): Jô, tô vendo sua câmera!
Eu (nem lembrando do assunto): que câmera, Caio?
Caio: aquela que tira “fota” da gente e que Deus assiste!
Ontem peguei um filme pra assistir com meu pai. Ah, deixa eu falar o nome, chama “Zona Verde”. Meu pai com certeza prefere a “Zona da tia Neide”. Mas, como se tratava de uma quarta feira de cinzas meio preta pra mim, achei melhor assistir um filminho. Pois bem! Não percam tempo em assistir, ok? Sabe aqueles filmes que falam sobre o Iraque, com a velha historinha tipo “não tinha armas de destruição no Iraque”. Ah vá?! Sério?! O quê?! Por causa do petróleo?! Não?! Jura?! PELO AMOR DE SANTA CATARINA URUGUAIA! Ninguém merece! CHEGA! CHE-GA!
Fora isso, meu pai resolveu diminuir o cigarro bem na sessão cineminha. Sabe como? Toda vez que dava vontade de fumar, ele levantava do sofá (com toda calma do mundo), ia à cozinha, acendia o cigarro e voltava. Ou seja, a hora que ele sentava no sofá novamente, alguém tinha morrido e eu tinha que falar por que, onde, quando e quem matou. Lembrei da minha tia Diva, que resolvia assistir a novela na ultima semana. E ficava perguntado “quem é esse aí?” ou, pior “ué, essa aí não era casada com aquele que fazia o padre Miranda na novela Rainha da Sucata?”. É duro! Mas enfim, depois dessa acho difícil meu pai querer assistir filme comigo de novo. Mas eu não desisto!
Bom mesmo foi o livro da Patrícia Highsmith que encontrei na minha bagunçinha. Já tinha lido quando tinha uns 16 anos e ontem ele me fez esquecer o sono. Só parei de ler quando olhei no relógio e vi que já passava das 3 da manhã. Mas foi bom demais. Nossa, adoro essa mulher, gente! O livro chama “Carol” e foi escrito nos anos 50 e não deixou de ser polemico até hoje. Com um conteúdo intenso, doce, meigo e ao mesmo tempo pesadíssimo, o livro é delicioso! Ah, é tudo! Valeu a madrugada. Vou caçar mais alguns livros esses dias. Taí oh! Isso sim vale a pena caçar, né?! Velhos e bons livros…
Eu acho que estou ficando sóbria demais ultimamente. É isso, só pode ser! E também estou ficando mais certa do que deveria. Esse “certicismo” anda me cansando. E essa palavra nem existe, mas é o que esta acontecendo comigo nesse exato momento. Estou passando por um “certicismo involuntário”. Que acontece quando os paradigmas toscos da sociedade começam a fazer happy hours no seu boteco cerebral, tocando musicas chatas que não fazem nem boi dormir.
Sintomas de quem esta com C.I.:
- Olhos descoloridos
Devido ao uso excessivo de televisores
- Corpo cansado
Devido ao peso do edredon
- Boca seca
Devido a falta de freqüência de boas risadas e boas conversas
- Dor de cabeça
Devido a pensamentos idiotas tipo “nossa, essa novela tá boa, hein?”
- Dor de ouvido
Devido ao prolongado silencio noturno
- Dor de cotovelo
Devido aos fuscas cheio de gente cantando “ala-la-ô-ôôô-ôôô” ao lado, enquanto você escuta “all by myself”.
- Dor no dedão do pé
Devido a falta do que fazer e com isso tentar desencravar a unha as 2 da manhã
- Dor nos braços
Devido a falta de movimento para abraçar alguém
- Dor na língua
Devido a falta… bom, deixa quieto.
Vou trabalhar agora. É o que sobra nesta quarta feira de cinza – preta, alias, diga-se de passagem – para esta aprendiz de Certicista com a unha do dedão encravada.
Domingo assisti com minha irmã e minha mãe um filme fantástico. É bem estilinho auto ajuda – que eu não curto – mas cheio frases muito interessantes, que acabaram mexendo muito comigo. Algumas frases do filme que marcarm:
Conhecimento não é o mesmo que sabedoria. A sabedoria está em agir.
É possível passar a vida toda sem estar acordado.
Todos lhe dizem o que fazer e o que é bom pra você. Não querem que você encontre suas próprias respostas. Querem que você acredite nas respostas deles. Pare de escutar os outros e ouça o que tem no seu interior.
As pessoas temem o que há por dentro delas mesmo, mas, é o único lugar que encontrarão o que precisam.
Retire o lixo. O lixo está na sua cabeça, seu lixo é aquilo que lhe afasta da única coisa que importa: Esse momento, aqui, agora. Aprenda a jogar fora o que não precisa.
A morte não é triste. O triste é que a maioria das pessoas não vive nada.
A jornada é o que nos traz felicidade e não o destino.
Ouvi dizer que são milagres
Noites com sol
Mas hoje eu sei não são miragens
Noites com sol
Posso entender o que diz a rosa
Ao rouxinol
Peço um amor que me conceda
Noites com sol Onde só tem o breu
Vem me trazer o sol
Vem me trazer amor
Pode abrir a janela
Noites com sol e neblina
Deixa rolar nas retinas
Deixa entrar o sol Livre será se não te prendem… Constelações
Então verás que não se vendem
Ilusões
Vem que eu estou tão só
Vamos fazer amor
Vem me trazer o sol
Vem me livrar do abandono
Meu coração não tem dono
Vem me aquecer nesse outono
Deixa o sol entrar Pode abrir a janela
Noites com sol são mais belas
Certas canções são eternas
Deixa o sol entrar…
- Nina, vem aqui – sua mãe chamou da cozinha – seu avô quer falar com você.
Ainda de pijama e com a mamadeira na mão, Nina, com seus 6 anos vem correndo.
- Oi Vô!
…
- Ta. Tudo! A mãe ta fazendo bolo de cenoura e eu tava assistindo bob esponja.
…
- Aí no hotel que você tá, tem bolo de cenoura?
…
- Mas não tem cobertura de chocolate, né?
…
- A mãe disse que o hotel não deixa entrar bolo de cenoura, vô!
….
- Tá vô… eu não tô morrendo não, mas tô com saudade também! Ai vô, só você mesmo!
….
Desligou o telefone e olhou pra sua mãe e disse:
- Mãe, o vô é muito engraçado, né? Disse que eu sou sua neta preferida, mas eu sou a única neta, né? E que eu faço ele rir. E se a gente fosse lá? Por que ele tá no hotel sozinho e morrendo de saudade.
Sua mãe a pegou no colo e abraçou forte.
- Por que você tá chorando mãe?
No outro dia, sua mãe foi acordá-la e tentou explicar o que tinha acontecido com seu avô. Então, logo, ela entendeu que seu avô tinha morrido. Naquele mesmo dia, no banco da praça, em frente ao velório, passou um policial. Nina se soltou da mão da mãe e foi até ele. Levantou os braçinhos e disse:
- Moço, eu matei meu vô de saudade, pode me prender.
Por Josane H.
Baseado numa história real (que eu li e não lembro onde).
Em breve estaremos processando seu chamado para tomar as providências necessárias.
Esperamos que continue aproveitando o servio e siga participando do Terra Blog.